– Para a recolocação de equipamentos dentro da mesma oficina de produção.
– Para ampliação de instalações em outros armazéns
– Devido à mudança de localização da fábrica.
– Etc.
Em todos os casos acima, as medidas a serem tomadas são diferentes, dependendo da complexidade do equipamento a ser deslocado de um local para outro. Deslocar uma prensa da sua posição inicial de operação não é o mesmo que deslocar uma linha completa de produção de contentores.
No primeiro caso a tarefa é geralmente simples, pois apenas uma máquina é afetada, enquanto no segundo caso, como as máquinas, sistemas de transporte, equipamentos auxiliares, etc. estão envolvidos, o trabalho é muito mais complicado. Vamos concentrar-nos nesta última suposição por causa do seu interesse.
As tarefas a serem realizadas podem ser classificadas em duas etapas muito distintas. Um antes de qualquer movimento de maquinaria e um movimento final em si. Os resultados finais dependerão em grande parte da eficiência com que a preparação preliminar for realizada.
Os passos lógicos a seguir são:
FASE ANTERIOR
1º – Formação de novos recursos humanos
A primeira coisa a fazer é formar uma pequena equipe de responsáveis pela operação, com um líder bem definido e com dedicação total ou prioritária. Se não houver pessoas suficientes disponíveis, pelo menos um coordenador de projecto com plenos poderes e responsabilidades deve ser nomeado.
A mobilidade da equipa humana é escassa e é normal que com a mudança de localização de uma instalação não possa ser acompanhada pelos mecânicos e operadores habituais da mesma.
Se este for o caso, o próximo passo é preparar o treinamento adequado para o novo pessoal que assumirá a operação do equipamento. Como isso pode envolver um longo período de treinamento, é desejável que esse treinamento seja recebido no local e o mais detalhado possível, para que o máximo de experiência possível possa ser colhida de antigos operadores. Este passo é essencial para encurtar o tempo de arranque do equipamento na sua nova localização. Tem de ser planeado em pormenor e sem pressa, sem ser mesquinho nesta fase, pois qualquer despesa será em grande parte recuperada na fase seguinte.
2º – Recolha de informação e estudo da mesma.
A segunda tarefa é recolher toda a documentação possível sobre o equipamento que compõe a instalação a ser deslocada. Esta recolha de informação deve incluir:
– Manuais de instalação, operação e manutenção de máquinas básicas e auxiliares.
– Planos do mesmo
– Planos gerais das actuais instalações complexas, incluindo:
– Implementação atual bem delimitada
– Redes de abastecimento de electricidade, gás, ar, vácuo, etc.
Se algum destes documentos não estiver disponível, eles devem ser elaborados antes de tocar na instalação atual. No mínimo é necessário elaborar um esboço à mão o mais detalhado possível, incluindo medidas, distâncias entre máquinas, pontos de abastecimento, etc… É também muito útil tirar um bom número de fotos gerais e detalhadas de toda a instalação. Os instaladores ficarão muito gratos por isso mais tarde. Uma foto detalhada é por vezes mais eficaz do que o melhor dos planos.
3º – Determinação dos consumos e necessidades específicas
A documentação acima deve ser estudada em profundidade, determinando as necessidades implícitas da linha, como por exemplo:
– Fundações ou âncoras especiais.
– Características do solo (Resistência à carga ou agressividade dos produtos utilizados em funcionamento normal)
– Consumos totais e pontuais de força e fluidos
– Necessidades de equipamento auxiliar que por vezes são partilhadas com outras instalações e nem sempre podem ser deslocadas com o equipamento principal.
– Meios específicos tais como: estruturas, escadas, chaminés, condutas, plataformas, etc.
Tudo isto deve estar definido e pronto para ser lançado no momento certo (compra, construção, etc.). Em todos os casos, é aconselhável estimar o tempo necessário e o custo.
4º – Estudo do espaço e ambiente no novo local.
É o momento de estudar em detalhe as características do edifício e do seu entorno onde será realizada a nova instalação. Entre outros, devem ser levados em conta, entre outros, os seguintes aspectos
– Espaço livre disponível.
– Características (altura livre, obstáculos, colunas, etc.)
– Solo: resistência, propriedades,…
– Estrutura de tecto (resistência a possíveis cargas, interferência com condutas, suporte de rede…)
– Redes básicas de abastecimento: Localização, potência e fluxos disponíveis,…
Os dados preparados na secção 3 serão comparados com os aqui obtidos e será determinado se se encaixam correctamente ou se é necessário tomar algum tipo de medidas correctivas, tais como: ampliar o centro de transformação de energia, aumentar a capacidade de ar comprimido instalado, instalar uma estrutura metálica complementar, reforçar parte do pavimento…
Uma vez definidas todas as necessidades, elas serão documentadas e estarão prontas para serem lançadas, incluindo uma estimativa de tempo e custo.
5º.- Definição de novo plano de implantação
Com os dados disponíveis do equipamento e do novo recinto, a nova implementação pode agora ser definida. Os planos que se seguem serão desenhados:
– Instalação geral
– Redes de abastecimento detalhadas
– Fundações
– Quadros elétricos e outros
– Chaminés, condutas, suportes, estruturas específicas, etc.
– Detalhado quando necessário
Mais uma vez, quaisquer novas tarefas a serem implementadas serão definidas e listadas com seu tempo e custo correspondentes.
6º – Desenvolvimento de um PERT
É agora necessário enumerar todas as tarefas a realizar até ao final dos trabalhos e que até agora não foram estudadas: desmontagem, transporte, montagem… e fazer uma estimativa dos recursos necessários para a sua realização: mão-de-obra, tempo, materiais, custo…
Um fator importante é conhecer os recursos humanos necessários em cada uma das fases, a fim de organizar sua disponibilidade. Pode acontecer que não haja recursos humanos suficientes disponíveis e a terceirização pode ser necessária. Neste caso é mais um factor a avaliar e a incluir na lista de tarefas.
Já temos uma visão detalhada de todo o trabalho a ser realizado durante o processo. Agora eles precisam ser ordenados e configurados na sequência temporal certa para que estejam todos prontos no momento certo. Para isso, nada melhor do que desenvolver um Pert que inclua cada um deles.
O PERT é basicamente um método para analisar as tarefas envolvidas na conclusão de um determinado projeto, especialmente o tempo para completar cada tarefa e identificar o tempo mínimo necessário para completar o projeto total. Não vamos entrar nos detalhes de como fazer uma grade PERT, pois é uma técnica muito conhecida. Se alguém quiser alargar os seus conhecimentos, pode encontrar informações na Internet.
Esta grelha PERT é uma excelente ferramenta para ter uma visão geral de todas as tarefas a realizar, permitindo-lhe saber quando iniciar cada uma delas para que esteja pronta no momento certo sem atrasar a conclusão das outras. Se o número de tarefas for pequeno, pode não ser necessário aplicar esta técnica e uma listagem sequencial ordenada das tarefas pode ser suficiente.
É também o momento de fechar o orçamento da operação, fazendo um resumo das despesas previsíveis a partir das avaliações que foram feitas em cada uma das etapas anteriores.
7º – Lançamento de fornecimentos e obras anteriores
Com o PERT à nossa frente como guia, podemos agora lançar cada uma das tarefas: compra de equipamentos e materiais, construção de elementos, contratação de serviços….. nas datas apropriadas para que a sua conclusão esteja dentro do prazo.
8º.- Montagens de serviços e instalações auxiliares
As primeiras montagens a serem realizadas são todas aquelas relacionadas com as instalações auxiliares, como por exemplo:
– Redes básicas de água, gás, ar, vácuo,… , deixando pendentes as descidas para os pontos de conexão.
– Alimentação eléctrica da rede, excepto para todas as caixas de alimentação
– Suportes especiais para o tecto ou fixos ao chão, para suportar sistemas de transporte, equipamentos aéreos, etc.
– Preparação do pavimento: furos de ancoragem, reforço do pavimento, protecções superficiais…
Está na hora de os pôr a funcionar, para que estejam prontos antes da maquinaria chegar.
9º.- Contratação de transporte especial e seguro.
Finalmente, antes de começar a desmontar o equipamento, é aconselhável alugar o meio de transporte para o novo local, tendo em conta:
– Necessidade de meios especiais, como caminhões plataforma rebaixada, de tonelagem ou comprimento específico, tudo dependendo das dimensões e peso das máquinas a serem transportadas.
– Licenças de trânsito ou outras, se necessário.
– Apólice de seguro que cobre a operação.
– Horário de carregamento.
FASE DE TRANSFERÊNCIA
Antes de iniciar esta fase, a primeira coisa a ter certeza é que as necessidades dos clientes estejam asseguradas durante toda a duração desta operação. Para isso, é necessário que, de acordo com a Commercial, seja criado um estoque de segurança do produto que esta instalação fabrica ou ter outro que seja capaz de fornecer a parada deste.
1º.- Desmontagem
Chegou a hora de começar a tarefa da jogada real. A primeira operação é desmontar toda a instalação a partir do seu local original. Uma equipe de pessoal misto (mecânicos e eletricistas) deve estar disponível para realizar este trabalho simultaneamente. Se for necessário terceirizar, é melhor contratar uma empresa especializada em montagem ou formar equipes mistas de pessoal interno e externo. É desejável que o mesmo pessoal realize tanto a desmontagem como a remontagem, o que facilitará muito o trabalho.
É necessário marcar adequadamente todos os elementos, especialmente a fiação e os painéis elétricos, para evitar erros na montagem posterior dos mesmos. Também é aconselhável marcar as posições específicas dos componentes mecânicos. Serão elaboradas listas e guias de remessa para cada uma das remessas com a finalidade de controlar a operação e a companhia de seguros.
2º – Montagem
Com a chegada do equipamento ao novo local, inicia-se a operação de montagem. É a tarefa principal e os resultados finais dependerão de quão bem for realizada.
É difícil dar em algumas linhas critérios suficientes para uma boa realização deste trabalho. Apenas como exemplo, podemos mencionar:
– Comece com a máquina básica da instalação. Todos os outros serão acoplados a ele.
– Preste especial atenção à fundação, ancoragem e nivelamento do equipamento.
– Use meios de qualidade. Algo está a ser feito há muito tempo.
Já indicamos que a equipe humana deve ser a mesma que realizou a desmontagem. No caso de recorrer a meios externos é melhor dedicá-los a instalações eléctricas ou mecânicas de pouca responsabilidade, ninguém gosta que a mecânica da casa dê prioridade e importância aos pontos básicos.
3º – Testes e afinações
Uma vez terminada a montagem, começa uma fase delicada. A gerência pensa que a operação está concluída e começa a exigir produção, já que o tempo gasto nas tarefas anteriores, se não for planejado um estoque adequado, leva à escassez do mercado e os nervos começam a vir à tona. Mas acontece frequentemente que entramos num período de tempo de estimativa difícil onde o equipamento não funciona bem. Esta é a fase de teste e afinação.
Às vezes ficaremos espantados que equipas que nunca geraram dificuldades, decidam agora não “ir”. É necessário afinar todas elas, começando do zero. Isto é lógico porque durante o transporte muitos deles ficaram desalinhados. Além disso, os elementos entre máquinas (transportadores, elevadores, gotas, etc. ….) também podem apresentar problemas. Este é um excelente momento para o novo pessoal ganhar experiência. Uma boa ajuda é poder ter o antigo pessoal disponível para ajudar nesta operação numa base temporária. Os seus conhecimentos encurtarão esta fase.
No entanto, é normal que durante um certo período de tempo, as performances do equipamento estejam abaixo das habituais no local anterior. Há uma curva de aprendizagem e afinação que é do nosso interesse ter uma rápida evolução positiva, mas é necessário assumir.
4º.- Aprovação do produto
Como ponto final deste processo, resta apenas verificar se a qualidade do produto fabricado cumpre os níveis adequados. Isto pode ser apenas um trabalho interno ou pode também envolver o fornecedor. Pode acontecer que estes últimos tenham de aprovar o artigo produzido na nova implementação do equipamento.
NOTA FINAL: O acima exposto pode ser aplicado, na sua maior parte, à montagem de uma nova instalação.
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